Friday, January 4, 2008

A máquina universal

Uma máquina universal é uma máquina que faz tudo. Ora o Homem não é só capaz de construir máquinas para fazer tudo e mais alguma coisa como é, em si próprio, uma componente da grande máquina de máquinas que é a humanidade.
Uma sociedade é tão mais evoluída, é tão mais eficiente, como o grau e a quantidade de valências de compreende. Há os cabeçudos que vão à frente, os líderes, os cabeçudos que vêm a seguir, a máquina burocrática que certifica que as ordens dos líderes são bem implementadas, há cabeçudos para fazer a vida mais fácil a toda a sociedade, técnicos e tecnocratas, há cabeçudos para cuidar do corpo, espírito e alma de outros cabeçudos, há cabeçudos que põem tudo em causa, destroem, roubam e corrompem e obrigam a sociedade a reformular-se, etc.
Se formos ver a civilização não é mais que uma gigantesca caixa de ferramentas, em que do mais impetuoso Black&Decker à mais humilde chave seistavada, todos servem apenas para desenvolver, construir, manter e expandir construções em cima de construções, em que uma destas é a própria humanidade. É um ciclo de tenaz, incoercível e progressiva complexidade técnica, táctica e substantiva que nos prende a todos numa corrida sem meta e de objectivos incompreensíveis. E só presos neste correr para não ficar para trás é que todos podemos ambicionar ser livres.
Por outro lado algo que serve para esclarecer a forma da humanidade é completamente incapaz de esclarecer a sua origem. Uma tal corrida sem eira nem beira não poderia iniciar-se a si própria como um acto inteligente. Ninguém começa a correr para lado nenhum num âmbito tão lato. Antes ficaria eternamente a pensar em qual direcção começar a correr face a tão enormes possibilidades. A humanidade é um mero irracional grito de solidão a ecoar pelo universo. Um desespero que só pode ser apaziguado por uma beleza com vida própria. Algo que empatise Criador e Criação, mesmo sabendo de antemão que Eles dois são o mesmo. Afinal, no principio era nada...

No comments: