Friday, January 4, 2008

Sonhos II -The Gore Within

Um pai, uma mãe e um filho vão dentro de uma pick-up. Sobem uma colina por um caminho de lama batida. Discutem freneticamente a estratégia que o pai deve tomar para evitar as valas cavadas pela chuva. Chegam a um velho edifício que parece uma adega abandonada utilizada como abrigo de cabras e ovelhas. Entram. São inundados por uma neblina de terror.
À sua frente jaz um pilha de corpos esfolados, com a textura da carne de frango sem pele. Três personagens ainda estão vivas, uma mãe e uma filha ajoelhadas em frente uma a outra confortam-se enquanto um pai marcha de uma lado para o outro enfrentado, freneticamente, os seus fantasmas. Também eles estão em carne viva. A outra família esforça-se para conter o pânico. Uma onda maníaca apodera-se deles ao aperceberem-se que têm de fazer qualquer coisa. Começam a arrumar os corpos numa depressão provocada por um, ausente, monte de estrume. O filho enquanto faz isto não consegue conter uma onda de flashbacks.
Uma discussão e ele passa-se, agarra numa pá e começa a descarregá-la nos corpos, ainda vivos dos, estranhamente já, esfolados. Alguns deles tentam tocar-lhe, o rapaz evita-o, batendo-lhes freneticamente. Um consegue agarra-lo, mas o rapaz empurra-o com o pé e ri baixinho de contentamento, com toda a recriminação deste mundo, justifica-se: "Não tens o direito de me tocar". Dá-lhe com a pá, decapitando-o de um só golpe. Esfolados e nus só sobram o pai, a mãe e a filha.
O fim da tarefa alivia as recordações. O pai e o filho começam a empurrar um pesado móvel, muito antigo e já sem portas, para cima dos cadáveres, numa vã tentativa de esconder os corpos. Ouvem, com terror, os ossos a quebrarem-se com o peso. Os que sobreviveram estremecem com o som. Os três confortam-se apesar de ser notório que, compreensivelmente, qualquer toque lhes provocar dores excruciantemente contidas pelos seus músculos desprotegidos. Finda a tarefa os a família do rapaz perdem um momento a observar com um misto que desconforto e ternura os outros três. Não há nada para eles ali. Nada podem fazer.
O regresso é ainda mais difícil e perigoso, a carrinha derrapa e escorrega. Mas ninguém diz nada. Todos os três juntos, vão sozinhos. Acompanhados apenas pelo seu terror, por um tumular pesar.

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