Friday, January 4, 2008

Sonhos

Cinco anjinhos caminham lado a lado em formação. O do centro vai à frente e os outros cobrem-lhes a alas. Não têm asas (não me perguntem porque é que sei que são anjinhos) são em tudo iguais ao comum dos mortais. Percorrem uma rude paliçada montada num terreno arenoso populado por um rala erva que pouco mais que desponta aqui e ali.
Um deles vira-se para o cabecilha do grupo e pergunta-lhe o que é que estão ali a fazer. Ele responde-lhe, fazendo o braço direito apontar na direcção do horizonte num ângulo de mais cento e oitenta graus, estão ali para defender "isto". O interlocutor cala-se. Os quatro ficam apenas mais um pouco esclarecidos com a resposta. Uns passos mais adiante o ala centro esquerda entra em modo de ataque ao ver uma cabra branca a comer a erva. O cabecilha do grupo sossega-o, divertido com a reacção:
- "Estamos aqui para defender "tudo", não é a erva. Não te rales com a erva..."
O ala centro esquerdo relaxa contundido pela sua confusão. "Se é para defender "tudo", porque é que isso não se aplica também à erva?" pergunta-se...

Para mim a história é um conto sobre a incapacidade das Partes compreenderem o Todo, uma parábola da incapacidade intelectual que leva os intervenientes não só a não conseguirem defender mas também a combaterem o "Plano".

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